sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Delicadezas


Nos restos
do dia a dia
cores e dores (con)-
formam um fazer
mais que um doer.

Dói em mim os desperdícios
das todas existências.

O sol fica do outro lado.

Bordado e restos de linha e papel: Leda
Imagem: Leda
Poema: Leda
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Infância e mar

LIBERDADE


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Aqui nesta praia onde


Não há nenhum vestígio de impureza,


Aqui onde há somente


Ondas tombando ininterruptamente,


Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente


Encontra a própria liberdade.

De Mar Novo (1958)

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Imagem: Leda
Poema: Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 31 de outubro de 2009

Flores ser


nas casas de muitos
havia os quintais

suas substâncias
essências a expandir
aromas
amor
amoreiras
em beirais de cercas

as flores abriam-se ao mundo
não fossem apanhadas
no flores ser


Imagem: Leda
Texto: Leda
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Abarco

De algum porto aporto e no cais sol e neve a combinar formas do existir. Uma fragata voou lenta no horizonte; a forma em v voa e sobrevivo no olho do instante.

Sou só ao eterno e temo mais que sal despejado em água cristalina em taças expostas nos parapeitos azuis com vistas ao mar que some, some, some.

Meu peito de rocha combina as cores e cresce nas noites e dias de retorno ao eterno ir e vir dos viajantes de antes e os portais (passagens) contornam o seu e meu corpo refletidos no bojo do copo vazio. E cresço no entorno com força interna nos olhos de quem me vê. Sou terna e ter na consistência de meu ser o peso do tempo, conforta.

A forma esta que hoje tenho não medi nem pedi. Aconteceu nos cantos tecidos grão a grão como sílabas pesadas em balanças de precisão; e cindida em tantos fragmentos trago sentimentos de beira de caminho que os passantes não atinam.

Eu tinha uma forma, um desenho. Agora sou outro. Sou eu? Em quantos eus se memorfoseia o ser...

Acolhido, sou fragmento inteiro num outro. E dou meu tempo e voz no silêncio dos toques adormecidos da noite intensa.

E sonho íntegro com eras que trago e que perduram completas em minha pele de rocha pontiaguda e cortante. Sou indistinto e a corda estendida do alto ao profundo une ar e mar. E não tenho certeza da leveza do meio. Um vento sopra e põe sombra no meu corpo.

Não há fundo na noite blue.


Imagem: Leda

Texto: Leda


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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fluidez sonora


Instalação à entrada da Pinacoteca, em São Paulo, para a exposição de Matisse.
A exposição iniciou-se em 04/09 e termina em 04/11.
Vale a pena ir até a Estação da Luz para ver de perto as obras dos tantos artistas.


Imagem: Leda

Gotas de chuva: palavras deslizantes



Nesta manhã de inverno
gotas da chuva
escorrem seus sentidos
como palavras deslizantes
e somam sentimentos
nos esbarros
do presente tempo

Imagem: Leda
Texto: Leda

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Constante lida


Estação da Luz. Museu da Língua Portuguesa. Pinacoteca. Museu de Arte Sacra. Estação Pinacoteca. Sala São Paulo. Universidade Livre de Música. Teatro Franco Zampari (da TV Cultura). Rua São Caetano: centro das noivas. Rua José Paulino. Estação Armênia...
O povo ruma ao merecido descanso. Ou mesmo dirige-se a seus trabalhos noturnos. Escola. Igreja. Grêmio Recreativo.
Esta cena reporta-nos a tantos acontecimentos...
A cada um 'meus sinceros desejos de muita força' pela constante lida!
Um abraço.

Imagem: Leda (Estação da Luz: plataforma do trem, às 18:23)
Texto: Leda

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