terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Milton Nascimento - aspectos de biografia


Postado por Djonasz em 14 de maio de 2007.

Mais um outro vídeo com o inominável Milton Nascimento.
Descobri hoje, na internet, este vídeo do músico com o jornalista Chico
Pinheiro. A entrevista é tão emocionante!
Ressalto aqui a importância do rádio na formação musical de muita
gente em nosso país. E Milton conta emocionado que o momento de
travessia em sua vida foi quando ouviu Ray Charles no rádio. A voz do
artista entrou para sempre em sua alma.
Aí está mais um pouco da vida musical do Brasil que amo.


Áudio e imagem: YouTube

Texto: Leda Lucas

Travessia


Milton live, singing the most beautiful song ever written by
Fernando Brant, with Wagner Tiso on the piano.

Postado por Djonasz, em 18 de maio de 2007.


Letra

Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant)


Quando você foi embora fez-se noite em meu viver

Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar

Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar

Estou só e não resisto, muito tenho prá falar


Solto a voz nas estradas, já não quero parar

Meu caminho é de pedra, como posso sonhar

Sonho feito de brisa, vento vem terminar

Vou fechar o meu canto, vou querer me matar


Vou seguindo pela vida me esquecendo de você

Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver

Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer

Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver


Solto a voz nas estradas, já não quero parar

Meu caminho é de pedra, como posso sonhar

Sonho feito de brisa, vento vem terminar

Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar


Fonte: YouTube (by: la' Music Stúdio)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Depois da chuva


POÇAS D'ÁGUA


As poças d'água na calçada esburacada – não, isto não é um protesto: é, a seu modo, uma espécie de poema, que por sinal já saiu rimando... Fosse uma reclamação, eu a publicaria no "Correio do Leitor", seção competente onde cada um exerce o direito da sua opinião privada sobre a coisa pública. As poças d'água na calçada, como eu ia dizendo, são, em meio ao tráfego congesto, o único esporte que resta ao viandante na contingência de lhes saltar por cima ou devidamente contorná-las. Há velhinhas – quem diria? – que sabem transpô-las com infinita graça, equilibrando no alto a sombrinha como a moça do arame no circo. Há graves senhores pançudos, que o fazem cuidadosamente, eficientemente, com uma perfeição que justifica o seu status. E há também os sujeitos, nada pançudos, nada graves, antes pelo contrário, e que nos fazem lembrar os chamados “salta-pocinhas” do Segundo Império. Quanto às crianças, essas adoram as poças d'água... Nem é necessário alegar, a seu respeito, uma compulsiva comunhão com a natureza.

Comunhão com a natureza tive-a eu, quando uma noite caí de borco ao praticar esse esporte e fui parar no Pronto-Socorro, de nariz quebrado. A moça otorrino que gentilmente me atendeu mostrou-se preocupada com o meu vômer, que eu não sabia o que era. Explicou-me que se tratava do osso que dividia as fossas nasais. Quanto aos outros, os da ponta do nariz, eram os distais e, se fossem os vitimados, não tinha importância, pois acabariam acomodando-se por si mesmos.

Como vês, leitor amigo, a vida é assim: caindo e aprendendo... E, caso me ocorram outros acidentes, acabarei enfim sabendo anatomia, matéria que faz muito tempo que não estudei nos bancos escolares.

Mas o que me deixou mesmo mais eufórico foi ao ler no boletim clínico que toda aquela sangueira nas ventas tinha o nome de epistaxe. Epistaxe, meu Deus! Até parece uma figura de retórica...


As poças d'água são um mundo mágico

Um céu quebrado no chão

Onde em vez das tristes estrelas

Brilham os letreiros de gás Néon.


QUINTANA, Mario. In: Prosa e verso/Mario Quintana. 7ª ed. São Paulo, Globo, 1997, p. 147 e 148.


...os meninos, Mario querido, continuam a passar por sobre as poças d'água, mesmo você estando escondido nas dobras do tempo. Veja só. E eles são 10!

Saudades de você; viu? Ainda bem que você escreveu e eu aprendi a ler e a gostar de poesia.

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Imagem: Leda Lucas

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Angelus et Mariae

Anunciação


Artista: Sandro Botticelli (1445-1510)

Dados da obra: Cestello Annunciation - 1489-90

Tempera on panel, 150 x 156 cm

Galleria degli Uffizi, Florence


A pintura renascentista florentina, que se iniciara com artistas como Fra Angélico e Masaccio, adquiriu na segunda metade do século XV, com Botticelli, um caráter refinado, melancólico e elegante, afastado das buscas científicas do princípio do século.


Fonte: Google (http://www.wga.hu/index1.html)


IF...


E até hoje não me esqueci

Do Anjo da Anunciação no quadro de Botticelli:

Como pode alguém

Apresentar-se ao mesmo tempo tão humilde e cheio de tamanha dignidade?

Oh! tão soberanamente inclinado...

Se pudéssemos ser como ele!

Os Anjos dão tudo de si

Sem jamais se despirem de nada.


QUINTANA, Mario. In: Prosa e verso/Mario Quintana. 7ª ed. São Paulo, Globo, 1997, p. 126.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O artista






artista é chama
ardente luz
no azul(((o)))ceano

escreve
esculpe
pinta

palavras nadam


Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Muito além da história




Recebi de uma amiga o link acima apresentando-me Chimamanda Adichie, com a expressão de espanto que todos temos quando nos deparamos com a consciência de que fomos e somos criados por uma "história única".
Aí está uma linda mulher africana a nos contar sobre como ela foi ampliando o seu modo de contar para SER junto de todos os povos do continente africano.
E contou-nos ainda mais sobre seu modo de contar sobre os povos de outras nações.

Obrigada, amiga Margaret, por oferecer-me a oportunidade de ampliar minhas histórias.

Vídeo: YouTube
Texto: Leda Lucas

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Encontro de amigos

Era um domingo de carnaval e como não somos de ir para avenida sambar, escolhemos (Zé carlos e eu) ficar entre amigos.
E foi assim que reencontrei meus queridos amigos e seus filhos na casa de Cecília e João e Luiza e Pedro, os moradores; o Edu e Cris e seus filhos Nanda e Léo; o Tião -e seu irmão Lucas- e Dilma, Ivan e Dalva e Ophelis.
Vários deles, eu havia encontrado em dezembro último, mas alguns havia já bastante tempo que não os via e outros eu nem conhecia.
De qualquer forma, foi um domingo bom de viver.
A imagem ao lado, eu a fiz para registrar o clima de afetividade que envolveu todo o nosso encontro.

Imagem: Leda Lucas
Texto: Leda Lucas

E para comemorar a inesquecível tarde, um poema de Mario Quintana.

A surpresa de ser


A florzinha

Crescendo

Subia

Subia

Direito

Pro céu

Como na História de Joãozinho e o Pé de Feijão.

Joãozinho era eu

Na relva estendido

Atento ao mistério das formigas que trabalhavam tanto...

E as nuvens, no alto, pasmadas, olhavam...

E as torres, imóveis de espanto, entre voos ariscos

Olhavam, olhavam...

E a água do arroio arregalava bolhas atônitas

Em torno de cada pedra que encontrava...

Porque todas as coisas que estavam dentro do balão azul daquela hora

Eram curiosas e ingênuas como a flor que nascia

E cheias do tímido encantamento de se encontrarem juntas,

Olhando-se...


Quintana, Mário (1906-1994). In: Prosa & Verso. São Paulo, Ed. Globo, 1997, 7ª ed. p. 122


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