quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Clara em meus dias mais recentes



E minhas gatas (Clara e Lua) gatinham sob o Sol em cima de minha cama, enquanto eu tentava tricotar mais um cachecol...

Mas como continuar a tecer com estes ANIMAIS fazendo tanta pose?

Parei – e fiz estas imagens.

Havia nuvens brancas num céu azul, as sibipirunas aguardando o momento do despontar de folhas e botões... Logo logo o chão bem abaixo da janela do quarto ficará amarelo e as flores caídas no cimento lembrar-me-ão da beleza da primavera.

Esteve frio?

Imagens: Leda Lucas

Texto: Leda Lucas

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Lua em muitos dos meus dias



A Lua chegou em uma primavera há já bastante tempo. Mais de 9 anos! Por volta de sete meses de vida, deu-nos um susto imenso.
Sofreu com a cirurgia da castração e de uma pequena hérnia. Porém faz tempo que é uma felina companhia.
Linda, obrigada por suas sábias escolhas do colo, do afago, de beber água direto da minha mão, debaixo da pia. Por, com sua fofa pata, puxar a porta quando chegamos em casa e sair no hall para dar uma voltinha; deitar na porta do vizinho e rolar em seu tapete. Por raspar a porta do banheiro, com suas almofadas fofas sob as garras, pedindo para entrar e fazer-nos companhia durante o banho.
Agora, bem que você podia ser mais amiguinha da Clara; não?
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sábado, 14 de agosto de 2010

Matraga

Teaser - Matraga (A hora e a vez) from Matraga on Vimeo.

Este vídeo eu o localizei no YouTube, a partir de uma pesquisa sobre o fotógrafo Luiz Achutti, cujo documentário foi exibido no Canal Brasil, que eu não vi, porque não tenho TV a cabo. A TVA, o canal que eu tinha, não exibe o Canal Brasil – um dos motivos porque pedi o cancelamento do contrato, depois de ficar 'presa', na história de fidelidade por mais de dois anos...

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tramas no azul


Quem tramou o azul
para a Lua?

Quem contou figura
no drama do fio?

Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Minas em Mim



FAZENDA

Milton Nascimento

Composição: Nelson Angelo


Água de beber


Bica no quintal


Sede de viver tudo


E o esquecer


Era tão normal que o tempo parava


E a meninada respirava o vento


Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida


Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós (2x)



Água de beber


Bica no quintal, sede de viver tudo


E o esquecer


Era tão normal que o tempo parava


Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa


Tinha o sol da manhã


E na despedida,
 tios na varanda, jipe na estrada


E o coração lá (4x)

Fonte: http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/47426/

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Garrafa no mar

Há sempre um copo de mar para um homem navegar (Jorge de Lima)

"Cada poema é uma garrafa de náufrago jogada às águas... Quem a encontra, salva-se a si mesmo.
...
Poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz.
...
A poesia é uma loucura lúcida.
...
O poema é uma pedra no abismo...
...
Todo poema é uma aproximação.
...
Delícia de fechar os olhos, por um instante e assim ficar, sozinho, fabricando escuro... sabendo que existe luz!
...
Cada gota contém a luz do mundo.
...
Essas coisas que parece não terem beleza nenhuma – é simplesmente porque não houve nunca quem lhes desse ao menos um segundo olhar!
...
Descobrir continentes é tão fácil como esbarrar num elefante./ Poeta é o que encontra uma moedinha perdida."

In: Mário Quintana. Para viver com poesia. Seleção e organização de Márcio Vassallo. São Paulo, Globo, 1ª reimpressão, 2007.

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Texto: Mário Quintana (digitado por Leda Lucas)
Vídeo: Leda Lucas
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A casa

"(...) a imensa casa cósmica existe potencialmente em todo sonho de casa. De seu centro irradiam-se os ventos e as gaivotas saem pelas janelas. Uma casa tão dinâmica permite ao poeta habitar o universo. Ou, noutras palavras, o universo vem habitar sua casa.
Às vezes, num repouso, o poeta volta ao centro de sua morada...
... Tudo respira de novo
A toalha é branca. (Gaston Bachelard)

Esta é a casa de minha avó materna. Aí vivi os primeiros momentos de pertencimento. Aqueles em que minha avó já cansada e de paladar exigente solicitava à neta e afilhada (eu) que torrasse no tacho de cobre, num fogão a lenha muito alto para os meus 8 ou 9 anos, o fubá – aquele mais fino, que no cocho do moinho, ficava encostado à parede de madeira, amarelinho, tenro... Então, deste esforço contente de ser pessoa, fazer a farinha de milho torrada para tomar com leite e uma pitada de sal ou com café, ou, então já como minha mãe fazia: o angu-doce com nacos de queijo minas (sempre achei que eram pequenos e poucos) curado que comíamos com café, frequentes vezes pela manhã e, também, à noite quando não havia bolo de fubá assado na panela de ferro coberta com uma fôrma de lata ou até mesmo a tampa de alguma panela de alumínio emborcada, sobre a qual se punha as brasas para assar a parte de cima.
Nesta casa de minha avó, aprendi que meu avô, que não alcancei em vida, gostava de ouvir música no rádio, altas horas da noite. Principalmente, instrumental – e que eu entendi, não sei por que clássica. Acho que vem daí o meu gosto singular por MÚSICA CLÁSSICA e, também, as valsinhas brasileiras em vozes que enchiam todo o imenso salão. A sala era – é ainda – imensa, com janelas e portas altíssimas.
Em minha infância, nas janelas havia arandelas de ferro retorcido e vidros coloridos nos portais e umbrais. A luz elétrica iluminava as noites do ser tão início.
Contavam-me que minha avó, renitente, lá do quarto, longe da sala, chamava:
– Arquilino, vem deitar! Desliga este rádio.
E ele, então, esquecia seus dedos longos no botão de som, diminuía o volume; encostava sua cabeça de falcão à mesa e sonhava? Depois, ficava rolando o seletor ao longo do dial e ia e voltava...
As cadeiras com assento de esteirinhas de vime fino, e estrutura de madeira preta, muitas, espalhadas pelo salão dentro das noites.
Lá fora, o mundo.
Imagem: Leda Lucas
Texto: Leda Lucas
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