sábado, 7 de abril de 2012

Eu queria trazer-te a luz


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Mario Quintana

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Extraído do livro "Quintana de bolso", Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco.
http://www.releituras.com/mquintana_menu.asp

Imagem: Leda Lucas
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Garganta do Diabo em Cataratas do Iguaçu.


"Todas as vozes todas..."

Imagem: Leda Lucas

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domingo, 1 de abril de 2012

Drummond - A Mão


Enviado por em 31/10/2011
Poema "A Mão", escrito por Drummond para Portinari no dia 6 de fevereiro de 62 -- dia em que Portinari morreu. Aqui declamado pelo próprio autor em homenagem a Candido Portinari.



A Mão


Entre o cafezal e o sonho

O garoto pinta uma estrela dourada

Na parede da capela,

E nada mais resiste à mão pintora.

A mão cresce e pinta o que não é para ser pintado mas sofrido.

A mão está sempre compondo

módul-murmurando

o que escapou à fadiga da Criação

e revê ensaios de formas

e corrige o oblíquo pelo aéreo

e semeia margaridinhas de bem-quer no baú dos vencidos.

A mão cresce mais e faz

do mundo como-se-repete o mundo que telequeremos.

A mão sabe a cor da cor

e com ela veste o nu e o invisível.

Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.

Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica,

não para aplacar a sede dos companheiros,

principalmente para aguçá-la

até o limite do sentimento da terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal

entre guerra e paz

entre mártires, ofendidos,

músicos, jangadas, pandorgas,

entre os roceiros mecanizados de Israel,

a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil

entre o amor e o ofício

eis que a mão decide;

todos os meninos, ainda os mais desgraçados,

sejam vertiginosamente felizes

como feliz é o retrato

múltiplo verde-róseo em duas gerações

da criança que balança como flor no cosmo

e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente

em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia

mesmo no estar-angustiado.

O que era dor é flor, conhecimento

plástico do mundo.

E por assim haver disposto o essencial,

deixando o resto aos doutores de Bizâncio,

bruscamente se cala

e voa para nunca-mais

a mão infinita

a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari."

Fonte: YouTube

segunda-feira, 26 de março de 2012



...porque a beleza é tanta!

Imagem: Leda Lucas
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quinta-feira, 22 de março de 2012

Descida das águas



...e o grosso das águas
escorre à procura do leito.
E segue.


Imagem: Leda Lucas
Haikai: Leda Lucas

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Cataratas do Iguaçu



...e as águas eram tantas.
Despencavam rumo ao vale
e seguiam...

Imagem: Leda Lucas
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Artimanhas



Não fossem as artimanhas
e rede que nos apanham
teria tido a sorte de ver
o primeiro pôr de lua

Mas a vi fina luz
esplendente escondendo-se
por entre as montanhas
nas frestas das folhagens
transbordantes na mata

Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas
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