terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Minha cidade/456(3)


"Maluco beleza"! Assim é
esta cidade jovem
e quarta do planeta Terra.
Aqui tem tanta gente!
Tanta cor! Tem descanso
da estátua exposta
no vão livre e corredor que se enfeita
e vem e vão todos
são Silvestre, a São
João...

São Mateus
São João Clímaco
São João avenida
ave e nidação em cumeeiras
rotas e estátuas de Brecheret

São Paulo, meu amor, tom e Zé
aqui somos todos
permanência e transformação.

Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Minha Cidade/456(2)

Assim é esta minha cidade.
Final de tarde de verão. Muita gente ainda está em viagem de férias. Para visitar parentes em outros estados do país. Em férias, após ano inteiro de trabalho, ou de trabalho e escola para muitos ou só férias como, no caso meu filho que está no Norte do país, traçando um novo mapa em sua vida.
De fato, há muito cimento e o tempo todo carros trafegam nas ruas e avenidas. Principalmente, nas que são ligações entre os diferentes centros de trabalho e os bairros frequentemente distantes do local onde mora o trabalhador.
Este instante é calmo e ninguém sabe do amor que tenho para com estes seres que aí estão passantes, inconstantes, vivos.
Vocês não sabem, mas esta quaresmeira cresceu tanto desde quando me mudei para cá! E há oito anos ela assim floresce para enfeitar a rua por onde passamos.

QUARESMEIRA

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Myrtales
Família: Melastomataceae
Gênero: Tibouchina

Quaresmeira (ou "Flor-de-quaresma") é o nome vernacular atribuido a sete espécies do gênero Tibouchina, sendo elas:
T. mutabilis ("manacá-da-serra-anão", "jacatirão-anão", "cuipeuna")
T. granulosa ("tibouchina", "quaresmeira", "quaresmeira-roxa")
Tibouchina 'Alstonville' (Híbrido)
T. sellowiana ("quaresmeira-da-serra")
T. herbaceae ("quaresminha")
T. semidecandra ou T. urvilleana (Sinônimos) ("quaresmeira-roxa-anã")
T. grandifólia ("quaresmeira-anã")
T. pulchra ("jacatirão", "quaresmeira-do-frio")

São muito comuns no Brasil, principalmente em São Paulo e no Paraná. Também estão presentes na Austrália e África do Sul. Têm porte mediano e costumam atingir 5 metros de altura – apresentam flores roxas e/ou róseas.
Também são conhecidas como "quaresmeiras" algumas plantas de outros gêneros de melastomáceas como, por exemplo, a Schizocentron elegans ("quaresmeira-rasteira") e a Huberia semiserrata ("quaresmeira-do-brejo").

Fonte: 302 x 331 - 70k - jpg - farm3.static.flickr.com
Imagem: Leda Lucas
Crônica: Leda Lucas

domingo, 17 de janeiro de 2010

Preciso de Silêncio


No existir de todos
o sentimento in
(cansável) da necessidade

Silêncio para acolher
a tragédia que escancara
a dor de meus irmãos
do Haiti

Impossível sair a gritar
pelos bosques, praças
ruas e avenidas.

Até agora vejo o gesto
ouço o grito
da jovem de saia xadrez
...

Por isso, Madredeus:
Silêncio.

Letra: Silêncio

Madredeus

Composição: Pedro Ayres Magalhães

Assim


pouco a pouco


escolhi


O presente silêncio

Silêncio

tão pouco querido


oh, derradeiro momento

Silêncio


Momento


Silêncio

Audiovisual: YouTube
Letra: http://letras.terra.com.br/madredeus/152442/
Texto: Leda Lucas

Minha cidade/456


Daqui até lá estás
no longe horizonte
e deste porto percorro
cada janela
cada porta
cauda e véu

ferida na alma de toda
lama a escorrer
vielas ruas ave
nidas aos antigos e
insistentes rios
a querer delta e pouso

morre-se um pouco cada vez.
A ponte é alta e à margem
todo tom morto
de dejetos e obsoletos
objetos um dia enfeite
de saia ou sala

Esta tarde cai e eu canto
em silêncio o sonho.

Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Metade


"Que a arte nos aponte uma resposta", no poema/prece cuja autoria não
consegui identificar, mesmo pesquisando em livros e na internet.

Hoje, ainda calada e, com o sentimento mais fundo da completa falta de clareza
diante os acontecimentos deste quotidiano que insiste em trazer para dentro
da morada da gente, pensamentos esquisitos de perplexidade.

Comentário: Leda Lucas

Audiovisual: YouTube


Metade

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também

Autor: Não consegui identificar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Zilda Arns


Transcrevo as palavras de seu, também, amado irmão, para dizer que muito a admirava por seu trabalho humanitário:

Cardeal d. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo e irmão de Zilda Arns:

“Acabo de ouvir a emocionante notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus em sua misericórdia acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e pelos desamparados. Não é hora de perder a esperança. Ela morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou".

Texto: Último Segundo (Mundo)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Civilização e barbárie

Enquanto os deuses dormem, ou fingem dormir, as pessoas caminham. É dia de feira neste povoado perdido nos arredores de Totonicapán, e o vaivém é grande. De outras aldeias chegam mulheres carregando pacotes pelas veredas verdes. Elas se encontram na feira, hoje aqui, amanhã acolá, neste povoado e em outro, como dentes que vão rumo à boca, e conversando vão sabendo das novidades, lentamente, enquanto vendem, pouco a pouco, uma coisinha ou outra.

Uma velha senhora estende seu lenço no chão, e ali deita sua mercadoria: defumador feito de um cacto chamado nopal, tinturas de anil e de cochonilha, algumas pimentas bem picantes, ervas coloridas, um jarro de mel silvestre; uma boneca de pano e um boneco de barro pintado; faixas, cordões, fitas; colares de sementes, pentes de osso, espelhinhos...


Um turista, recém-chegado à Guatemala, quer comprar tudo.

Como ela não entende, ele explica com as mãos: tudo. Ela nega com a cabeça. Ele insiste: você me diz quanto quer, eu digo quanto pago. E repete: compro tudo. Fala cada vez mais alto. Grita. Ela, estátua sentada, se cala.

O turista, exausto, vai embora. Pensa: Este país não vai chegar a lugar nenhum.

Ela vê como ele se afasta. Pensa: Minhas coisas não querem ir embora com você.


Galeano, Eduardo. In: Bocas do Tempo. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre, L&PM, 2004, pág. 280.

Imagem: Leda Lucas (Museu Precolombino – Santiago - Chile)

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