domingo, 21 de fevereiro de 2010

Angelus et Mariae

Anunciação


Artista: Sandro Botticelli (1445-1510)

Dados da obra: Cestello Annunciation - 1489-90

Tempera on panel, 150 x 156 cm

Galleria degli Uffizi, Florence


A pintura renascentista florentina, que se iniciara com artistas como Fra Angélico e Masaccio, adquiriu na segunda metade do século XV, com Botticelli, um caráter refinado, melancólico e elegante, afastado das buscas científicas do princípio do século.


Fonte: Google (http://www.wga.hu/index1.html)


IF...


E até hoje não me esqueci

Do Anjo da Anunciação no quadro de Botticelli:

Como pode alguém

Apresentar-se ao mesmo tempo tão humilde e cheio de tamanha dignidade?

Oh! tão soberanamente inclinado...

Se pudéssemos ser como ele!

Os Anjos dão tudo de si

Sem jamais se despirem de nada.


QUINTANA, Mario. In: Prosa e verso/Mario Quintana. 7ª ed. São Paulo, Globo, 1997, p. 126.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O artista






artista é chama
ardente luz
no azul(((o)))ceano

escreve
esculpe
pinta

palavras nadam


Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Muito além da história




Recebi de uma amiga o link acima apresentando-me Chimamanda Adichie, com a expressão de espanto que todos temos quando nos deparamos com a consciência de que fomos e somos criados por uma "história única".
Aí está uma linda mulher africana a nos contar sobre como ela foi ampliando o seu modo de contar para SER junto de todos os povos do continente africano.
E contou-nos ainda mais sobre seu modo de contar sobre os povos de outras nações.

Obrigada, amiga Margaret, por oferecer-me a oportunidade de ampliar minhas histórias.

Vídeo: YouTube
Texto: Leda Lucas

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Encontro de amigos

Era um domingo de carnaval e como não somos de ir para avenida sambar, escolhemos (Zé carlos e eu) ficar entre amigos.
E foi assim que reencontrei meus queridos amigos e seus filhos na casa de Cecília e João e Luiza e Pedro, os moradores; o Edu e Cris e seus filhos Nanda e Léo; o Tião -e seu irmão Lucas- e Dilma, Ivan e Dalva e Ophelis.
Vários deles, eu havia encontrado em dezembro último, mas alguns havia já bastante tempo que não os via e outros eu nem conhecia.
De qualquer forma, foi um domingo bom de viver.
A imagem ao lado, eu a fiz para registrar o clima de afetividade que envolveu todo o nosso encontro.

Imagem: Leda Lucas
Texto: Leda Lucas

E para comemorar a inesquecível tarde, um poema de Mario Quintana.

A surpresa de ser


A florzinha

Crescendo

Subia

Subia

Direito

Pro céu

Como na História de Joãozinho e o Pé de Feijão.

Joãozinho era eu

Na relva estendido

Atento ao mistério das formigas que trabalhavam tanto...

E as nuvens, no alto, pasmadas, olhavam...

E as torres, imóveis de espanto, entre voos ariscos

Olhavam, olhavam...

E a água do arroio arregalava bolhas atônitas

Em torno de cada pedra que encontrava...

Porque todas as coisas que estavam dentro do balão azul daquela hora

Eram curiosas e ingênuas como a flor que nascia

E cheias do tímido encantamento de se encontrarem juntas,

Olhando-se...


Quintana, Mário (1906-1994). In: Prosa & Verso. São Paulo, Ed. Globo, 1997, 7ª ed. p. 122


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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Saiba


Toda parte

Saiba que em algum lugar
uma flor abriu-se
uma criança morreu
e outras foram salvas.

Uma mãe chorou
marido trouxe-lhe uma flor
o filho não voltou.

Uma mulher anda
com sua cria de porta em porta
pelos hospitais à procura de vaga
onde dar a luz.

Também é possível
que uma vaga lembrança
toma todo o sentimento
do homem
um gesto
da sempre presença
– num momento qualquer de sua existência,
a horta cheirava a hortelã
e o pintassilgo cantava em algum lugar.

Poema: Leda Lucas
Vídeo: YouTube (postado por tipocoisaetal, em 10 de dezembro de 2006), clip "do melhor compositor, letrista, cantor e performer em palco do Brasil !!!".

Saiba


Compositor: Arnaldo Antunes


Saiba: todo mundo foi neném

Einstein, Freud e Platão também

Hitler, Bush e Sadam Hussein

Quem tem grana e quem não tem


Saiba: todo mundo teve infância

Maomé já foi criança

Arquimedes, Buda, Galileu

e também você e eu


Saiba: todo mundo teve medo

Mesmo que seja segredo

Nietzsche e Simone de Beauvoir

Fernandinho Beira-Mar


Saiba: todo mundo vai morrer

Presidente, general ou rei

Anglo-saxão ou muçulmano

Todo e qualquer ser humano


Saiba: todo mundo teve pai

Quem já foi e quem ainda vai

Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé

Ghandi, Mike Tyson, Salomé


Saiba: todo mundo teve mãe

Índios, africanos e alemães

Nero, Che Guevara, Pinochet

e também eu e você


http://vagalume.uol.com.br/arnaldo-antunes/saiba.html

As árvores


Uma nova árvore entrou em minha vida. Conheço tão pouco sobre árvores.
Mas o meu amor, a minha eterna gratidão, consolida-se todo dia. Como quando vejo pessoas,
animais, uma pedra, debaixo da sombra de um galho, quase sempre maltratado e, frequentemente
nem visto.
E o desejo da árvore é somente permanecer viva, florescer, dar seu fruto.
Ontem, tive a grata felicidade de conhecer mais um exemplo de resistência com flores e botões
nunca vistos.

AS ÁRVORES

Composição: Arnaldo Antunes e Jorge Ben Jor


As árvores são fáceis de achar

Ficam plantadas no chão

Mamam do sol pelas folhas

E pela terra

Também bebem água

Cantam no vento

E recebem a chuva de galhos abertos

Há as que dão frutas

E as que dão frutos

As de copa larga

E as que habitam esquilos

As que chovem depois da chuva

As cabeludas, as mais jovens mudas

As árvores ficam paradas

Uma a uma enfileiradas

Na alameda

Crescem pra cima como as pessoas

Mas nunca se deitam

O céu aceitam

Crescem como as pessoas

Mas não são soltas nos passos

São maiores, mas

Ocupam menos espaço

Árvore da vida

Árvore querida

Perdão pelo coração

Que eu desenhei em você

Com o nome do meu amor.


Letra: http://vagalume.uol.com.br/arnaldo-antunes/a-casa-e-sua.html


Texto: Leda Lucas
Vídeo: YouTube (postado por jorfers7 em 3 de novembro de 2007).

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Catavento flor


Hoje, com muito custo e vencendo a alta temperatura, resolvi que levaria os meus óculos para o oftalmologista verificar a sua confecção, pois não estou me acostumando com ele.
A Av. Rebouças no sentido centro da cidade, simplesmente não andava. A fila de ônibus era de dar sono na gente e, de fato, no ônibus, a não ser um jovem baiano que parecia muito animado com a cidade, contava enormes vantagens de sua Salvador. Apenas ele falava. Os outros modorrinhavam a morna meia tarde. Eu, inclusive.
Lia um pouquinho A volta ao dia em 80 mundos de Cortázar, na parte em que o autor comenta a arte poética com fragmentos do romance Paradiso, de José Lezama Lima, escrito em letras miudíssimas. Ah, como a gente se entrega nos detalhes do viver; não?
Um tempo muito longo passou e cheguei ao balcão da Clínica. E a fatídica pergunta: "A senhora trouxe a receita? O guarda-chuva, eu havia já me certificado de que não o trouxera. Mas, a receita há dias carrego-a comigo em um daqueles tantos estojos de óculos - este azul.
E a viagem atordoante ao interior da bolsa. E a constatação: Não trouxe, moço. Sem a receita, não dá. Está bem. Voltarei, quando?
Saí do prédio, sem ofensas. O que fazer?
Enquanto acertava-me em meu destino, subi um pouco a calçada no sentido do centro da cidade, mas o tronco de uma árvore, enfiado literalmente na calçada, chamou-me a atenção. Para que pus nele meus olhos? Era uma árvore de tronco não tão grosso e parece que ele precisou vencer alturas em busca de sol; é esguia. Mas os cachos de flor em seus galhos, as folhas, os botões. Ah, os botões: catavento-flor! Ou mandala vegetal no céu da cidade.
Fiquei em tal estado de euforia que nem consegui fazer uma boa foto.
E aí está um pedacinho de meu contentamento na tarde de hoje em que uma árvore, que segundo o porteiro do prédio da Clínica de Olhos a quem perguntei se ele sabia o nome daquela árvore, é indiana e tem mais ou menos 12 anos e que foram plantadas duas, porém apenas esta sobreviveu. E, também, contou-me que é a primeira vez que ela "bota tanta flor". Tudo isto falou-me com um sorriso no rosto todo; e que não estava ali antes.

Imagem: Leda Lucas
Crônica: Leda Lucas
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