sexta-feira, 5 de março de 2010

Che Guevara

Há exatos 50 anos, em uma tarde de Março de 1960, Alberto Korda, jovem fotógrafo cubano, congelou para sempre o rosto de um mito: a de Che Guevara, a foto mais reproduzida no mundo. Um dia antes, em 04 de Março de 1960, o navio La Coubre estava ancorado em Havana, carregado com toneladas de munição. De repente, uma explosão sacudiu a terra. No cais de Havana voou parte do barco. O saldo foi de 101 pessoas mortas (apenas 95 foram identificadas) e mais de 200 feridos. No dia seguinte, em 05 de março, realizou-se um funeral para as vitimas da tragédia de La Coubre, e Fidel Castro estava presente com alguns comandantes da revolução, incluindo Che Guevara e alguns convidados especiais, entre eles Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. O fotógrafo do jornal Revolução Alberto Korda Diaz Gutierrez estava cobrindo o funeral: "Eu estava a uns dez metros do palanque onde falou Fidel (Castro) e com uma meia teleobjetiva fiz a foto do Che, tudo aconteceu em meio minuto. Mas foi em 1967, quando Che morreu, que esta imagem foi publicada em Cuba. Na foto, Che Guevara aparece de cabelos longos, usando boina com uma estrela. A imagem foi reproduzida em todo o mundo em camisetas, canecas, bonés de beisebol, garrafas de vodca, maços de cigarros, relógios, biquínis e outros produtos da sociedade de consumo contra a qual Che lutou. A imagem clicada por Korda ajudou a torná-lo símbolo mundial. O Instituto de Arte de Maryland - EUA, a denominou "A mais famosa fotografia e maior ícone gráfico do mundo do século XX". É a imagem mais reproduzida de toda a história.
© Foto de Alberto Korda. Che Guevara no enterro das vitimas da explosão do navio La Coubre. Havana, 05 de março de 1960."

Postado a partir do blog http://imagesvisions.blogspot.com/ de Fernando Rabello, em 05/03/2010.

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quarta-feira, 3 de março de 2010

Um dia à tarde


Imagem: Leda Lucas - poema de Murilo Mendes, na Exposição sobre obra de John Graz na Caixa Cultural - São Paulo.
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O anjo


O anjo, contido
em pedra
e silêncio
me esperava.

Olho-o, identifico-o
tal se em profundo sigilo
de mim o procurasse desde o início.

Me ilumino! todo
o existido
fora apenas preparação
deste encontro.

2

Antes que o olhar, detendo o pássaro
no voo, do céu descesse
até o ombro sólido
do anjo,
criando-o
– que tempo mágico
ele habitava?

3

Tão todo nele me perco
que de mim se arrebentam
as raízes do mundo;

tamanha
a violência de seu corpo contra
o meu,
que a sua neutra existência
se quebra:
e os pétreos olhos
se acendem;
o facho
emborcado contra o solo, num desprezo
à vida
arde intensamente;
a leve brisa
faz mover a sua
túnica de pedra.

4

O anjo é grave
agora.
Começo a esperar a morte.

GULLAR, Ferreira. In: Toda Poesia (1950/1980) – Luta Corporal (1950-1953). São Paulo, Círculo do Livro, ps. 26 e 27).

Imagem: Leda Lucas
Poema: Ferreira Gullar (digitado por Leda Lucas, respeitando a grafia original.)
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Abelhas fazendo mel


Em um toco de madeira, suporte para banco no bar Ximbica no sul da Bahia,

abelhas jataí fizeram há mais de dez anos, uma colmeia.

Aí estão, todos os dias, a elaborar doçuras e levezas; e quem tem o privilégio de as ver 

em seu incansável trabalho de geômetras com cálculos envolvendo a luz do sol,

sabe que nada pedem a ninguém de nós.

Sabem de sua tarefa e vivem o infinito de seus dias.


Texto: Leda Lucas
Vídeo: Leda Lucas

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Hexagrama 27.I


As Bordas da Boca (Prover Alimento)

Os governantes do hexagrama são o seis na quinta posição e o nove ao alto.
O Comentário sobre a Decisão refere-se a eles quando diz:
"Ele alimenta os homens de valor e assim abrange o povo inteiro".

SEQUÊNCIA

Quando as coisas são firmemente retidas, há alimentos. Por isso a seguir vem o hexagrama: AS BORDAS DA BOCA. As Bordas da Boca significa prover alimento.

JULGAMENTO

AS BORDAS DA BOCA. A perseverança traz boa fortuna. Preste atenção à nutrição e àquilo que o homem procura para encher sua própria boca.

IMAGEM

O trovão na base da montanha: a imagem da NUTRIÇÃO. Assim, o homem superior é cuidadoso em suas palavras...

Transcrevi este trecho (adaptado) do I ching - O Livro das Mutações (prefácio de C. G. Jung) de Wilhelm Reich, editora Pensamento, para não deixar escapar minha "tartaruga mágica" e olhar para mim "com os lábios caídos."

Imagem: Leda Lucas
Texto (adaptado): do livro I ching, cujo fragmento foi digitado por mim.
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Pátio de tarde


"Toby gosta de ver a garota loura passar pelo pátio. Levanta a cabeça e dá uma mexida, mas depois fica bem quieto, seguindo com os olhos a fina sombra que por sua vez vai seguindo a garota loura pelas pedras do pátio. No quarto está fresco, e Toby detesta o sol da sesta; nem sequer gosta de ver as pessoas acordadas a essa hora, a única exceção é a garota loura.
Para Toby a garota loura pode fazer o que bem entender. Dá outra mexida, satisfeito por tê-la visto, e suspira.
É simplesmente feliz, a garota passou pelo pátio, ele a viu por um instante, seguiu sua sombra pelas pedras com seus grandes olhos avelã.

Talvez a garota volte a passar.
Toby suspira de novo, sacode um pouco a cabeça como se estivesse espantando uma mosca, enfia o pincel no pote e continua mexendo a cola para passá-la na madeira."

Referência bibliográfica: CORTÁZAR, Julio. 1914-1984
Último Round, tomo I; tradução: Paulina Wacht, Ari Roitman. – Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2008. p. 40

Explicando: Hoje fui ver a exposição de J. Borges (Do Cordel à Xilogravura) na Caixa Cultural, na Praça da Sé, em São Paulo.
No ônibus, li o conto de Julio Cortázar que tem uma personagem chamada Toby. O final do conto des(consertou-me) a narrativa.
Tenho três irmãs e todas têm gatos. Uma delas tem um gato cujo nome é exatamente Toby. Então, enquanto lia o texto, lembrava-me o tempo todo do lindo gato da Fátima. Descartei a ideia de ser um gato, dado o fantástico da narrativa.
Na Caixa Cultural há quatro exposições no momento e uma delas é sobre a obra de John Graz com obras em gravura, litogravura, desenhos, escultura; muito sensível... Não conhecia o artista e gostei muitíssimo de conhecer seu trabalho.
Porém, a surpresa: a terceira obra que vi era sabe o quê? Um gato pintor com a paleta e o pincel na pata (?) desenhado no verso de uma carta remetida a uma irmã. Amei este encontro.

Imagem: Leda Lucas (a partir de obra de John Graz)
Texto: Pátio de tarde - Autor: Julio Cortázar (digitado por Leda Lucas)
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Visita inesperada


Não aguardava naquela noite nenhuma visita. Arrumei-me com os meus e via o tempo passando pela sala de estar de casa. Uma noite quente destas do último verão; janelas amplamente abertas. Brisa muito leve a não vencer a luz de néon da TV - quase sempre ligada para o apetite destes tempos de Discovery ou jogo de futebol.
Não entram na programação da casa os episódios de BBB (inutilidade sem nenhuma poesia, viu Manoel de Barros?!) ou algum outro medíocre programa.
Lua e Clara iam e vinham felinamente; esparramavam-se nas passagens a fim de um ventinho que fosse, nos vãos... A misteriosa planta enroscando-se em troncos alheios com muitos volteios e já no teto.
Eu, com pouca luz e barulho, na sala com os meus! Não via nada na senhora da casa, há muito tão dona do horário nobre da noite.
E foi, então, que procurando alguma saída para o momento, notei que não éramos apenas três na casa e mais dois felinos. Havia um visitante, que se instalara a um canto e deixou-me inteira na noite que tinha, por certo, perdida.

Imagem: Leda Lucas
Crônica: Leda Lucas
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