sábado, 4 de setembro de 2010

Em Antofagasta

DÁ-ME TUA MÃO


De Cecilia Meireles e Gabriela Mistral


Dá-me tua mão, e dançaremos;

dá-me tua mão e me amarás.

Como uma só flor nós seremos,

como uma flora, e nada mais.

O mesmo verso cantaremos,

no mesmo passo bailarás.

Como uma espiga ondularemos,

como uma espiga, e nada mais.

Chamas-te Rosa e eu Esperança;

Porém teu nome esquecerás,

Porque seremos uma dança

sobre a colina, e nada mais.


Extraídos de "GABRIELA MISTRAL & CECÍLIA MEIRELES"; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Santiago de Chile: Academia Chilena de La Lengua, 2003.

Imagem: Victor Lucas

Poema: http://legalvarenga.blogspot.com/ - encaminhado por José Universo.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Viagens do mel à dor

XVIII

Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas 


que arderam de doçura ou enfureceram 


o aguilhão: o certame continua, 


vão e vêm as viagens do mel à dor. 


Não, não se desfia a rede dos anos: não há rede. 


Não caem gota a gota de um rio: não há rio. 


O sonho não divide a vida em duas metades, 


nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude: 


a vida foi como uma pedra, um só movimento, 


uma única fogueira que reverberou na folhagem, 


uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal 


que subiu e desceu queimando-se em teus ossos.


Pablo Neruda in Ainda
Tradução: Olga Savary. José Olympio Editora –

Rio de Janeiro, 1978.


Imagem: Leda Lucas

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Herança

Muitos são os legados que nos deixam.
No meu caso, tenho como herança a composição em formas e tintas expressada por minha mãe, da casa que morava em seu coração.
Tive de crescer, mudar de estado, adaptar-me a um outro modo de ser e compor-me. E minha mãe, também.
Veio ao mundo, viveu seus dias com os seus e, principalmente, nos contava da feliz amizade com seu irmão Chico. Das tantas travessuras de meninos do interior. Casou-se com o homem que tornou-se meu pai. Foram felizes e infelizes juntos até o último dia de vida de minha mãe.
Não apaga de minha memória uma das últimas falas que tive com ela:
– Seu pai viajou, e nem me desejou 'Boa sorte!'.
Mas ele nunca foi destas coisas. Nem nunca teve o hábito de saber de alguém indo para o médico... Hospital?! Porém, ele retornou de viagem e dormiu com a sua mulher a derradeira noite, do jeito que ele gostava. Ele nunca podia imaginar ser aquela noite incômoda devido ao desconforto de minha mãe pelas dores, a última da vida deles.
Tomaram juntos o café da manhã! Teve bolo, caseiro, e guardado no fundo do forno.
Vai dizer que viver não é ser sempre surpreendido.
Mas, um pouco antes da inesperada partida, minha mãe, em seu eterno buscar-se, espalhou tintas – algumas, inclusive minhas! – em telas que comprava com seu 'dinheirinho' de aposentada. E contou-se! Pintou sua morada.
Mesmo um pouco desgostosa, porque a casa que ela trazia no coração tinha tanta luz! O telhado não era assim caído! A parede não era assim torta... Nem eram aquelas as plantas que haviam na cerca do curral. O terreiro ficou muito limpo. Faltou a porteira.
O que faltou, minha mãe?! Veja:
A escada para o alpendre.
As portas do porão. Tenho certeza, que um bezerrinho, ao amanhecer, ainda chama por sua mãe debaixo do assoalho. Algumas galinhas, ainda fazem aí seus ninhos. Um galo canta na madrugada. Um cachorro dorme na soleira. Um gato deve passar rápido.
A escada para o terreiro da cozinha. Era maior. Por que dificultar o acesso a espaço tão-nosso amado?!
Sinto falta do forno a lenha, e o azedinho do biscoito de polvilho ainda quente, saboreio agora. O crepitar das brasas. As mesmas que fizeram explodir a lata de soda cáustica que queimou muito sua perna, quando ainda era bem jovem – e já havia providenciado minha chegada –, deixando tantas cicatrizes que pude observar em suas pernas brancas, e na testa. Tenho fascínio pelo fogo! E um medo...
O ora-pro-nóbis ficou atrás da casa, lá para as bandas da cozinha?
O pé de laranja serra d'água da vovó, que fim levou?!
O chuá-chuá da água na bica!
Mas.
Aí está o morro.
Aí estão as árvores de Paratudo!
Nunca vou me esquecer dos dias.

Imagem: Leda Lucas
Texto: Leda Lucas

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Grafite

Para a festa de aniversário de 56 anos do Parque do Ibirapuera.
Com detalhes de carinho para com a toda verdura e presença de um montão de pássaros neste lugar onde os paulistanos podem se encontrar e se encantar.
Imagem: Leda Lucas
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O artista



O artista
Ao Rubens Matuck

A Natureza esplandece
em cor e tons
na mão do artista

Então irrompe
com tinta e esforço
um lugar

Pássaros vento
e abelhas

Mil – muito mais –
voos
na geometria doida
da Beleza.

Imagem: Leda Lucas (a partir de banner da Exposição do artista Rubens Matuck).
Poema: Leda Lucas
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Clara em meus dias mais recentes



E minhas gatas (Clara e Lua) gatinham sob o Sol em cima de minha cama, enquanto eu tentava tricotar mais um cachecol...

Mas como continuar a tecer com estes ANIMAIS fazendo tanta pose?

Parei – e fiz estas imagens.

Havia nuvens brancas num céu azul, as sibipirunas aguardando o momento do despontar de folhas e botões... Logo logo o chão bem abaixo da janela do quarto ficará amarelo e as flores caídas no cimento lembrar-me-ão da beleza da primavera.

Esteve frio?

Imagens: Leda Lucas

Texto: Leda Lucas

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Lua em muitos dos meus dias



A Lua chegou em uma primavera há já bastante tempo. Mais de 9 anos! Por volta de sete meses de vida, deu-nos um susto imenso.
Sofreu com a cirurgia da castração e de uma pequena hérnia. Porém faz tempo que é uma felina companhia.
Linda, obrigada por suas sábias escolhas do colo, do afago, de beber água direto da minha mão, debaixo da pia. Por, com sua fofa pata, puxar a porta quando chegamos em casa e sair no hall para dar uma voltinha; deitar na porta do vizinho e rolar em seu tapete. Por raspar a porta do banheiro, com suas almofadas fofas sob as garras, pedindo para entrar e fazer-nos companhia durante o banho.
Agora, bem que você podia ser mais amiguinha da Clara; não?
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