sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fantasia

Alfredo Bosi, no livro O ser e o tempo da poesia, no capítulo Uma Leitura de Vico, conta-nos que o filósofo Benedetto Croce (1947)
"Na aula inaugural que o filósofo (Vico) ministrou, em 18 de outubro de 1699, aos alunos da Universidade de Nápoles, define-se o modo de ser da mitopoética:
'Na verdade, aquele poder de modelar as imagens das coisas, que se chama fantasia, enquanto gera e cria novas formas, afirma por certo e confirma a divindade da origem. Foi a fantasia que imaginou os deuses dos povos maiores e menores; ela imaginou os heróis; ela ora muda, ora compõe, ora separa as formas das coisas.'
Bosi, Alfredo, 1936. In: O ser e o tempo da poesia.
São Paulo, Cultrix, 1983, p. 199.
Imagem: Leda Lucas
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

À espera do tempo

Em À espera do tempo – Filmando com Kurosawa, Teruyo Nogami, escreve:
"(...) Quando Kurosawa era assistente de direção, soube que o diretor Sadao Yamanaka filmava Ninjo kami fusen (1937) num set ao ar livre e foi para lá ver.
(...)
O tempo estava bom, contudo todos olhavam o céu, despreocupados, e nada de a filmagem começar. Kurosawa perguntou qual era o motivo, e disseram que esperavam que uma nuvem surgisse ...".
Teruyo Nogami. À espera do tempo – Filmando com Kurosawa.
Trad. Diogo Kaupatez. São Paulo, Cosac Naify, 2010, p. 18.
Imagem: Leda Lucas (Detalhe de uma cerejeira, no Bosque das Cerejeiras, Parque do Carmo, São Paulo).
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sábado, 6 de agosto de 2011

Instante de infinito

Gaston Bachelard (1884-1962) no livro a Intuição do Instante num comentário sobre a obra de Gaston Roupnel (1872-1946), transcreve:
"A Arte é a escuta dessa voz interior. Ela nos traz o murmúrio enterrado. É a voz da consciência sobrenatural que habita em nós no fundo inalienável e perpétuo. Ela nos reconduz ao sítio primordial de nosso Ser e o Lugar imenso no qual estamos no Universo inteiro. Nossa parcela miserável assume aí seu grau universal e nos entrega a autoridade que ela detém. Triunfando sobre todos os temas descontínuos que separam o Ser e compõem o Indivíduo, a Arte é o senso de Harmonia que nos restitui ao doce ritmo do Mundo e nos devolve ao Infinito que nos chama.
Então, tudo em nós se faz partícipe do ritmo absoluto em que se desenvolve o fenômeno completo do Mundo. Assim, em nosso âmago, tudo se ordena nas supremas direções, tudo se aclara sob as clarividências íntimas. As luzes assumem significado mensageiro. As linhas desenvolvem a graça de uma associação misteriosa com os acordes infinitos. Os sons desenvolvem sua melodia na via interior onde canta todo o Universo. Um amor veemente, uma simpatia universal nos busca o coração e quer ligar-nos à alma que freme em todas as coisas.
O Universo que assume sua beleza é o Universo que assume seu sentido; e as imagens desusadas que lhe emprestaríamos tombam da face absoluta que emerge do mistério."
Imagem: Leda Lucas
Texto: Gaston Bachelard. In: A Intuição do Instante. Trad. Antonio de Padua Danesi. Campinas, Verus Editora, 2007, ps. 96 e 97.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Papiro à contraluz


No de dentro a luz
que se esconde. 2300D........
– a Clara andou sobre o teclado –
...epois a outra artificial.

Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

África na Noite

Foto e poema em exposição no Cindor – V Congresso Interdisciplinar de Dor da USP, em 2011.
Imagem: Leda Lucas
Poema: Leda Lucas
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Janela

Janela

Janela, palavra linda.
Janela é o bater de asas da borboleta amarela.
Abre para fora as duas folhas de madeira à-toa pintada,
janela jeca, de azul.
Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo em você,
meu pé esbarra no chão.
Janela sobre o mundo aberta, por onde vi
o casamento da Anita esperando neném, a mãe
do Pedro Cisterna urinando na chuva, por onde vi meu
bem chegar de bicicleta e dizer a meu pai:
minhas intenções com sua filha são as melhores possíveis.
Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,
claraboia na minha alma,
olho no meu coração.

Imagem: Leda Lucas
Poema: Adélia Prado. In: Poesia Reunida. São Paulo, Siciliano Editora, 1991, p. 103.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

31ª Festa das Cerejeiras no Parque do Carmo - 02/08/09


Hanami – a Festa das Cerejeiras no Parque do Carmo deste ano de 2011, acontecerá durante a primeira semana de agosto.
Vale a pena conferir. E, se possível, evitar o final de semana da Festa.
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