Documentário de 14 minutos, combina os desenhos de Steinberg com efeitos sonoros e reúne entrevistas com cartunistas brasileiros e especialistas, entre os quais Cássio Loredano, Jaguar, Ziraldo e Rodrigo Naves.
Fabrico um elefante de meus poucos recursos. Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio. E o encho de algodão, de paina, de doçura. A cola vai fixar suas orelhas pensas. A tromba se enovela, é a parte mais feliz de sua arquitetura. Mas há também as presas, dessa matéria pura que não sei figurar. Tão alva essa riqueza a espojar-se nos circos sem perda ou corrupção. E há por fim os olhos, onde se deposita a parte do elefante mais fluida e permanente, alheia a toda fraude. Eis o meu pobre elefante pronto para sair à procura de amigos num mundo enfastiado que já não crê em bichos e duvida das coisas. Ei-lo, massa imponente e frágil, que se abana e move lentamente a pele costurada onde há flores de pano e nuvens, alusões a um mundo mais poético onde o amor reagrupa as formas naturais. Vai o meu elefante pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho. É todo graça, embora as pernas não ajudem e seu ventre balofo se arrisque a desabar ao mais leve empurrão. Mostra com elegância sua mínima vida, e não há cidade alma que se disponha a recolher em si desse corpo sensível a fugitiva imagem, o passo desastrado mas faminto e tocante. Mas faminto de seres e situações patéticas, de encontros ao luar no mais profundo oceano, sob a raiz das árvores ou no seio das conchas, de luzes que não cegam e brilham através dos troncos mais espessos. Esse passo que vai sem esmagar as plantas no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas à pálpebra cerrada. E já tarde da noite volta meu elefante, mas volta fatigado, as patas vacilantes se desmancham no pó. Ele não encontrou o de que carecia, o de que carecemos, eu e meu elefante, em que amo disfarçar-me. Exausto de pesquisa, caiu-lhe o vasto engenho como simples papel. A cola se dissolve e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete, qual mito desmontado. Amanhã recomeço.
Com o tema "Poesia: Liberdade e Ruptura", a segunda edição do Sarau Visgo e Improviso aconteceu no Tucarena da PUC-SP, reunindo alunos e ex-alunos da universidade para apresentarem seus trabalhos.
Reportagem: Heloisa Ramos Categoria Educação Licença padrão do YouTube
Eras a um tempo mineral férreo em cor e volume, e disto não há como desviar; um cão ou pássaro e, ainda, cesto onde guardar ovos colhidos nos ninhos meus. E, por fim, pote.
Achado.
Como muitos outros, ao longo do caminho, não constituindo nenhum valor; apenas mais uma rocha. Esta singular, porque nela abertura ensimostrando o de dentro.
Mas, e agora? Como continuar tão-somente forma física?! Se traz estas linhas demarcando peito; a cabeça tombada à esquerda e boca aberta em sua precisão de grito. A fenda no peito linha-cicatriz?
Quando assim a frequento, a figura de um argonauta na pele d'água navega em rio ancestral. Um cão guarda a rotundez da viagem.
No enigmático do si, navego a portos-ponto ao amanhecer. Para conhecer-te, trago eras.
O exemplar do livro emprestado ainda não retornou. Aproveito mais uma vez para postar no blog as imagens que fiz das ilustrações de Santa Rosa para o romance Crime e Castigo.
Já com saudades de meu livro, que está emprestado, continuo as postagens das ilustrações de Santa Rosa para o romance Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, cuja edição foi revisada por João Guimarães Rosa.
Desta publicação das obras completas do autor russo participaram muitos artistas brasileiros geniais.
Pretendo deixar neste espaço pensamentos e reflexões sobre os acontecimentos do dia a dia.
Para isto, escreverei poemas (meus e de poetas que amo), comentários sobre textos literários ou não, fotografia, imagens de esculturas, eventos na cidade, comentários sobre filmes e exposições, vídeos, etc., que me tenham perguntado à alma, aos sonhos...
Entrevistas
Entrevista com Fábio Lucas
Entrevista com Oscar D'Ambrósio