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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Em linhas tortas



"(...) devo esperar por um tempo ignorado: não sei como fazer a planta germinar, nem como favorecer seu crescimento, nem como cuidar dela; só pressinto ou desejo que tenha folhas de poesia; ou algo que se transforme em poesia se certos olhos olharem para ela."
Felisberto Hernández, em O cavalo perdido e outras histórias, editora Cosac Naify.

Imagem: Leda Lucas

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Documentário: Saul Steinberg -- As aventuras da linha


As aventuras do traço de Saul Steinberg.

Enviado em 31/05/2011
Documentário de 14 minutos, combina os desenhos de Steinberg com efeitos sonoros e reúne entrevistas com cartunistas brasileiros e especialistas, entre os quais Cássio Loredano, Jaguar, Ziraldo e Rodrigo Naves.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Poesia nos dias


O Elefante
Carlos Drummond de Andrade

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira

tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.


Carlos Drummond de Andrade

(Em A Rosa do Povo)

Vídeo: YouTube

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Livros que Amei - Adriana Calcanhotto



Sensível documentário feito pelo Canal Futura sobre os livros que a artista, compositora e cantora de nossa música brasileira, Adriana Calcanhotto, ama(ou).

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lua Nova


Defensa de la alegría 
                        a trini

Defender la alegría como una trincheira
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas

defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutralles y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos

defender la alegria como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias

defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y de los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres

defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas da la risa

defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
            y también de la alegría.

Mario Benedetti. Antologia Poética. Alianza Editorial, Madrid, 1999, pág. 206

Imagem: Leda Lucas
Poema: Mario Benedetti
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quinta-feira, 16 de maio de 2013

TV PUC - II Sarau Literário Visgo & Improviso



Publicado em 16/05/2013
Com o tema "Poesia: Liberdade e Ruptura", a segunda edição do Sarau Visgo e Improviso aconteceu no Tucarena da PUC-SP, reunindo alunos e ex-alunos da universidade para apresentarem seus trabalhos.

Reportagem: Heloisa Ramos
Categoria Educação
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quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia Nacional da Poesia



A LUA DA BABILÔNIA

Numa esquina do Labirinto
às vezes
avista-se a Lua.
"Não! como é possível uma lua subterrânea?"

(Mas cada um diz baixinho:
Deus te abençoe, visão...)

Mario Quintana. In: Nova Antologia Poética, CODECRI, Rio de Janeiro, 1981, pág. 83.
Imagem: Leda Lucas

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Àqueles que gostam, amam mesmo, a lida com as coisas da linguagem, este poema de João Cabral de Mello Neto,


Catar feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 


2. 

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.


O poema Catar Feijão faz parte do livro A Educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto, cuja primeira edição foi publicada em 1965.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cidadezinha Qualquer, Drummond, Tom Zé


Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Alguma Poesia (1930)

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


Paul Klee 'Ancient Sound' (1925)
Tarde de janeiro com vento
leste
um pequeno gato - imagino
passa e mia longe
o cinema não aconteceu

Dia quieto
Até lembrar-me do Ancient Sound
um dia visto e guardado
no profundo das horas

Imagem: YouTube (de Paul Klee - 1925)
Poema: Leda Lucas

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

What a Wonderful World | Playing For Change


From YouTube
What a Wonderful World / Playing For Change

Muito, mas muito mais alegria em nossos dias!
Com música e música e música... E poesia

What a Wonderful World

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world

I see skies so blue and clouds of white
The bright blessed days, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world

The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
They're really saying, "I love you"

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more, than I'll never know
And I think to myself, what a wonderful world

Yes, I think to myself, what a wonderful world

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sábado, 27 de outubro de 2012

Fotografia e Tecnologia - Caçadores da Alma



A Árvore de Fotografia - TV Brasil

Avanços tecnológicos transformam os paradigmas da arte fotográfica


No segundo episódio da série dirigida por Silvio Tendler, é mostrado como os avanços tecnológicos estão transformando profundamente os paradigmas da arte fotográfica, por intermédio da Internet,Photoshop, celulares e Smartphones.
Nesta edição, o programa trata das novas conquistas da tecnologia digital que tão contundentemente interferem na fotografia, mas também da situação atual em que se encontram profissionais com técnicas mais antigas, como é o caso de lambe-lambes e do foto-pintor.
Os fotógrafos entrevistados refletem sobre o impacto da tecnologia em seu próprio trabalho: utilizar-se das novas técnicas implica em fazer uma arte nova? “Hoje em dia a fotografia de publicidade não é mais fotografia. Acabou! Ela é um sampler. Você é um DJ hoje. Você pega uma fotografia aqui, outra ali, cola aqui, cola ali, tira a perna de um, a cabeça de outro, a luz de lá... É um despautério! Porque isto é uma coisa dos tempos de hoje. Antigamente o cara aceitava a foto como ela era”, diz o Bob Wolfenson, um dos grandes nomes da fotografia brasileira.
Pr Silvio Tendler - TV Brasil
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domingo, 21 de outubro de 2012

Antonio Cicero - Programa da TV Brasil



Poesia e poetas num encontro valioso.


Publicado em 17/10/2012 por 
A palavra de ordem do Arte do Artista desta semana é anunciada no meio da Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, por uma faxineira: "ora, direis, ouvir estrelas". A partir daí, repetindo Rubem Braga, o programa se pergunta: será que a poesia ainda é necessária nos dias de hoje?
Quem responde é o poeta e filósofo Antonio Cicero, que considera a poesia ainda mais desejável "nessa época de aceleração desembestada". Organizador do ciclo Forma e Sentido Contemporâneo: Poesia, ele, a exemplo do filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov, um dos participantes do Ciclo, lê e comenta alguns dos seus poemas prediletos, da lavra de ninguém menos do que Ferreira Gullar e Manuel Bandeira.
Um programa em que a poesia corrói os alicerces do sistema prático-mercantil-utilitarista, com o poeta Eucanaã Ferraz revivendo Vinicius de Moraes, cantando em versos Manuel Bandeira. E Antonio Cicero, empunhando Bandeira, respondendo. E num programa tomado pela poesia, ela é tanta e tão completa que vira música, com Paulo Jobim apresentando o músico Jaques Morelenbaum, no quadro "Arte do Artista..."

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Victor Lucas acompanha Ravi Shankar

Numa tarde morna de outono, enquanto registro os acontecimentos da roupa azul, Victor Lucas acompanha na vitrola o músico Ravi Shankar.
Instantes poéticos.

Vídeo: Leda Lucas
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Descobertas


DESCOBERTAS

Descobrir Continentes é tão fácil como esbarrar com um elefante;
Poeta é o que encontra uma moedinha perdida...

(Mário Quintana. In: Nova antologia poética. Rio de Janeiro, Codecri, 1981, pág. 155).

Imagem: Leda Lucas

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