@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
domingo, 23 de junho de 2013
Trichoceros parviflorus - "Será por simples reflexo ou coincidência que uma planta como a orquídea Trichoceros parviflorus desenvolve suas pétalas de modo a imitar a fêmea de espécie de mosca, fazendo-o com tal perfeição que o macho tenta acasalar-se a ela e nesse exato momento a poliniza? Será ainda por acaso que são brancas, exercendo assim uma maior atração sobre as mariposas e borboletas noturnas, as flores que desabrocham à noite e exalam ao crepúsculo um odor mais intenso,...?" In: A vida secreta das plantas, pág. 12
Marcadores:
a vida secreta das plantas,
flores,
música,
stevie wonder,
tricheceros parviflorus
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Dormideira
"(...) A recatada malícia ou dormideira (Mimosa pudica) dispõe de um mecanismo que reage toda vez que um besouro, uma lagarta ou uma formiga se arrasta por seu caule em direção às folhas delicadas: tão logo exercida uma pressão contra seus órgãos sensitivos, os pedúnculos se abaixam, as folhas se recolhem, como se murchassem, e esse inesperado movimento, quando não lança o intruso fora, obriga-o a bater em retirada."
In: A vida secreta das plantas, pág. 13 da edição do Círculo do Livro que estou lendo.
Imagem: YouTube
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Marcadores:
dormideira,
mimosa pudica,
natureza,
planta,
sensitiva
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Orvalhinha ou rosela - "A orvalhinha ou rosela agarra as moscas com uma precisão infalível, movendo-se na direção exata onde se encontram as presas. Algumas plantas parasitas, por seu turno, reconhecem o mais sutil vestígio do odor de suas vítimas e são capazes de transpor todos os obstáculos para se arrastar até elas." In: A vida secreta das plantas, pág. 12.— em São Paulo.
A vida secreta das plantas é um livro sobre a vida das plantas. Foi escrito por Peter Tompkins e Christopher Bird e a edição que eu estou lendo é uma publicação do Círculo do Livro de não sei que ano, pois ainda não descobri o sistema de catalogação da editora.
Quando descobrir, completarei as informações.
Leda Lucas
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Documentário: Saul Steinberg -- As aventuras da linha
As aventuras do traço de Saul Steinberg.
Enviado em 31/05/2011
Documentário de 14 minutos, combina os desenhos de Steinberg com efeitos sonoros e reúne entrevistas com cartunistas brasileiros e especialistas, entre os quais Cássio Loredano, Jaguar, Ziraldo e Rodrigo Naves.
Categoria
Licença
Licença padrão do YouTube
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Poesia nos dias
O Elefante
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
Carlos Drummond de Andrade
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
Carlos Drummond de Andrade
(Em A Rosa do Povo)
Vídeo: YouTube
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Marcadores:
Adriana Calcanhotto,
arte,
artista,
Carlos Drummond de Andrade,
elefante,
poema,
poesia,
voz
Livros que Amei - Adriana Calcanhotto
Sensível documentário feito pelo Canal Futura sobre os livros que a artista, compositora e cantora de nossa música brasileira, Adriana Calcanhotto, ama(ou).
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Marcadores:
Adriana Calcanhotto,
Círculo do Livro,
dicionário,
livro,
livros,
Oswald de Andrade,
poesia,
poetas
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Lua Nova
Defensa de la alegría
a trini
Defender la alegría como una trincheira
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas
defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutralles y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos
defender la alegria como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias
defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y de los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres
defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas da la risa
defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría.
Mario Benedetti. Antologia Poética. Alianza Editorial, Madrid, 1999, pág. 206
Imagem: Leda Lucas
Poema: Mario Benedetti
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Marcadores:
entardecer,
estrela,
lua,
lua nova,
Mario Benedetti,
planeta,
poema,
poesia
Assinar:
Postagens (Atom)




